quinta-feira, 5 de maio de 2016

Bispos expressam angústia e pedem medidas frente à crise do Rio de Janeiro


RIO DE JANEIRO, 05 Mai. 16 / 08:00 am (ACI).- Os Bispos do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – que compreende ao Estado do Rio de Janeiro – lançaram uma carta, na qual manifestam “angústia diante das inúmeras formas de sofrimento pelas quais a população do Estado vive atualmente”. A missiva é assinada pelo presidente do Regional e Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta.
Nos últimos meses, o Estado do Rio de Janeiro vem passando por uma crise financeira que já é considerada uma das mais graves. Tal crise é refletida na situação da população, que enfrenta problemas de saúde, educação e diversos serviços à sociedade, com greves de servidos, ocupação das escolas por parte de estudantes, além dos atrasos e até não pagamento dos salários de servidores da ativa e aposentados.
Na missiva, os Bispos denominam o atual quadro do Estado como uma “catástrofe social”, tendo em vista “o número de pessoas atingidas”.
“Como pastores – assinalam os Prelados –, não podemos deixar de nos sentir afetados pelas lágrimas que brotam de tantas situações precárias que atingem, entre outras, as áreas da saúde, educação, alimentação, segurança, moradia, emprego, não recebimento de salários e aposentadorias”.
Nesse sentido, os Bispos ressaltam a responsabilidade das autoridades a fim de que se encontram “com rapidez soluções estruturais para a triste realidade que atinge nossa gente”.
“Investidos no poder público em seus diversos âmbitos, têm diante de si, a responsabilidade moral e legal de buscar soluções, devendo fazê-lo através da união de forças, do diálogo e também da criatividade, dentro do espírito democrático e pacífico que marca nossa nação”, sublinham.
O episcopado do Regional Leste 1 alerta que em “momentos de grandes dores” há o risco de se “fechar em embates teóricos ou ideológicos” e, com isso, envolver-se “em posturas que ultrapassem os limites do bom senso, ingressando nas raias da violência”.
Por isso, conclamam “para que o empenho de cada um, desde o nível pessoal até o institucional, seja sempre marcado pela paz, pelo diálogo e pela colaboração mútua, em busca do bem comum”.
“Temos consciência de muitas das causas da atual situação, clamamos por sua superação e consideramos urgente que se olhe para as consequências que ferem a dignidade dos filhos e filhas de Deus, atingidos de maneira ultrajante”, declaram os Bispos.
Eles exortam ainda “todos os católicos e as pessoas de boa vontade, que sonham com um mundo mais humano, a que assumam sua responsabilidade na busca e na concretização de soluções”.
Assim, para aquelas “dores que não podem esperar o dia de amanhã, aguardando os trâmites dos planejamentos e das burocracias”, os Prelados convocam “cada pessoa cujo coração não se endureceu de tão acostumado a ouvir clamores” a encontrar uma forma de ajudar a quem está perto, “ao alcance da mão e do coração”.
“Conclamamos as comunidades católicas, paróquias, movimentos e demais associações para que abram suas portas e saiam, como uma igrejasamaritana, uma igreja em campanha, uma igreja em missão, na busca de quem está sofrendo as mais diversas formas deste momento tão peculiar”, exortam.
Os Bispos ainda propõem um gesto de oração e doação diante dessa realidade, tendo em vista a Solenidade de Corpus Christi a ser celebrada no dia 26 de maio.
“Em cada uma de nossas dioceses – informam –, haverá procissões e outros momentos em honra do Santíssimo Sacramento. Além das orações para pedirmos perdão pelos pecados e forças para a transformação do mundo, conclamamos os católicos a exercitarem, de modo ainda mais generoso, o sentimento de partilha, recolhendo em cada procissão ou outro evento, alimentos a serem imediatamente enviados a quem necessita”.
Por fim, os Prelados afirmam que diante do Deus de Misericórdia se colocam “como servidores, partilhando a dor de cada coração que sofre, sonha e busca por soluções”. “Nós não temos todas as respostas, mas temos o desejo de colaborar para que as lágrimas sejam enxugadas, a alegria e a paz retornem aos corações, a justiça e integridade reinem cada vez mais em nossa terra”, concluem.
http://www.acidigital.com/noticias/bispos-expressam-angustia-e-pedem-medidas-frente-a-crise-do-rio-de-janeiro-25775/


Bispos expressam angústia e pedem medidas frente à crise do Rio de Janeiro




Do total arrecadado pelo Governo do Rio de Janeiro nos primeiros quatro meses de 2016 – pouco mais de R$ 11 bilhões –, em tese, R$ 1,4 bilhão deveria ser destinado para a saúde pública. Na prática, porém, só metade dos recursos foram disponibilizados para o setor: pouco mais de R$ 745 milhões.
Os dados são da Secretaria de Estado de Fazenda e foram apresentados nesta quarta-feira (4) à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). No lugar do secretário estadual Júlio Bueno, que não compareceu à reunião, esteve na Casa como representante da pasta a subsecretária de Política de Fiscal, Josélia Castro.
Durante sua apresentação, a subsecretária reiterou que as finanças do estado vivem um momento caótico, mas garantiu que o governo conseguirá aplicar os 12% do total arrecadado em saúde, conforme prevê lei federal.
A legislação federal, porém, não define que a aplicação dos recursos seja mensal, mas anual. Mesmo assim, parlamentares membros da comissão da Alerj acreditam que, ao fim do exercício, o governo estadual não conseguirá cumprir o que estabelece a lei.
"Já no ano passado, a maneira como o governo fechou o ano fiscal no que diz respeito aos repasses para a saúde levantou uma série de dúvidas. E esse ano a probabilidade é de que o governo não aplique, realmente, os 12% em saúde", especulou o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL).
Para o parlamentar, existe inclusive a possibilidade de que o RJ viva uma nova crise na saúde. Em dezembro do ano passado, o governador Luiz Fernando Pezão decretou situação de emergênciae pediu ajuda ao governo federal para solucionar o caos na saúde.
Já o presidente da Comissão de Saúde da Alerj, Jair Bittencourt, foi além e destacou a necessidade de se priorizar a saúde. Ele fez críticas ao governo pelas promessas de que a saúde seria prioridade. O deputado chamou de "absurdo" o que tem sido aplicado pelo estado no setor.
"[Com essa aplicação] Não tem saúde. Você tapa buraco, apaga incêndio, mas não planeja, não executa um orçamento economicamente viável. (...) Acho uma falta de compromisso e irresponsabilidade na gestão", disse.
Também nas contas do parlamentar, o RJ corre o risco de fechar 2016 com menos do que 12% aplicado em saúde. "Se em 33% do período do ano conseguiu pôr a metade, se está em crise e não tem perspectiva de melhora, como é que nos outros 70% do ano vai dobrar [o repasse para saúde]? Não vai fazer", decretou.   
Precarização nos repasses param obras

Como o G1 mostrou nesta quarta, sem receber os repasses previstos em contratos, obras necessárias em unidades de saúde estaduais estão paradas. É o caso do Hospital Azevedo Lima, em Niterói, na Região Metropolitana.

Com pouco mais de R$ 900 mil em caixa para investimentos em infraestrutura, a direção da unidade optou por deixar de lado importantes intervenções enquanto o governo estadual não quitar a dívida de R$ 45 milhões que tem com o hospital.
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/05/em-4-meses-governo-do-rj-repassa-so-metade-do-que-deveria-saude.html

Nota do moderador sobre a materia em exposição 



Julio Cesar Carneiro disse:

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